“Eu estou aqui porque além de feito parte de mesas, também fiz parte das plateias – então estou aqui agora na qualidade de alguém viveu a conferência de vários pontos de vista, embora não tenha vindo todos os dias. E o que eu estou levando dessa conferência é um cenário que eu nunca tinha visto. Embora eu já tenha participado de vários eventos, seminários, simpósios, encontros de várias naturezas, eu nunca estive numa conferência como essa. Nas minhas postagens, compartilhando coisas da conferência, eu usei um verso do Sérgio Ricardo onde ele diz que vê o encontro como chegada e ponto de partida. Dificilmente eu vivi um momento onde isso se ajustasse mais. Essa ideia de um encontro que é acolhedor das ideias e das experiências, ao mesmo tempo em que forja novas vidas, novas ideias. Eu conversei com muita gente que veio a essa conferência e senti que há um desejo de viver, de produzir coisas e de movimentar uma roda que vai acabar fatalmente gerando a segunda conferência, novos momentos como esse. Eu saio com a sensação de ter visto um encontro produtivo de fato pela primeira vez. Embora eu não saiba direito qual coisa foi produzida aqui em termos de teses, de organização de ideias, fixação de conceitos – o que é hétero, o que é travesti, o que é viado, o que é a biu. Embora essas ideias tenham ficado mais ou menos no ponto em que estavam, existiu um contato – e acho que tem muito a ver com a inserção da comunicação não violenta – que trouxe para mim algo novo”
VIVIANE VERGUEIRO
“Acredito que o [SSEX BBOX] tem trazido perspectivas interessantes para pensarmos diálogos sobre diversidades corporais, de identidades de gênero e sexualidades. Através de muitas colaborações incríveis, e com presenças diversas e inclusive divergentes, foi inovador e instigante em vários sentidos. E nos fez+faz re+pensar criticamente as homogeneidades de determinados espaços e os obstáculos interseccionais que podem persistir. Espero muito que este espaço de discussão e afeto continue!”
ADRIANA FEITOSA
“Eu achei que estava na vanguarda. Tive dois filhos, consegui entender minha sexualidade, aceita-la, vive-la, ter conseguido ser muito feliz, criei meus filhos sem preconceito – até quando eu contei para os meus filhos, eles viraram para mim e disseram que já sabiam. Até que me deparei com o fato de que minha filha está com problema na escola exatamente por ter um pensamento muito mais plural que eu o meu. Ela tem essa percepção de que existe uma ideia de identidade de gênero, que não é só a sexualidade, enfim, ela começou a me ensinar coisas. O que ela quis de aniversário foi contribuir para o financiamento da conferência – e, por conta de todas as minhas atribuições como mãe, e mais o trabalho etc., só pude vir com ela hoje [domingo, último dia]. Estou feliz como mãe, como mulher lésbica, como ser humano, porque vi aqui vocês falando tudo o que ela me fala em casa, e eu achei isso lindo. E o meu sonho para a próxima é que eu possa vir com ela todos os dias. O que eu vi aqui foi uma das coisas mais bonita, acho que minha filha vai levar isso para a vida. Estou muito feliz.”
CAROLINE DE ASSIS
“Me chamo Caroline, tenho 20 anos e saí do RJ na quinta-feira só para estar na [SSEX BBOX]. Voltei para casa ontem e até agora não consigo dormir direito pela quantidade de coisas que se passam pela minha cabeça. Essa conferência me deu tantos tapas na cara e tantos abraços. Me proporcionou momentos tão lindos, tão fortes, tão sensíveis, que está sendo difícil voltar para minha humilde e simples vida. Eu fui no intuito de ouvir e discutir, já que estou montando uma peça sobre um transgênero. Mas me surpreendi quando parei de pensar nisso e foquei em mim. E foi aí que me assustei e ao mesmo tempo, me entendi. A [SSEX BBOX] me abriu os olhos. E não só para o mundo. Me fez abrir os olhos para a minha pessoa. Quem eu sou. Quem eu sempre quis ser. Quem eu ainda não tenho coragem de mostrar. Que loucura! Eu não esperava ser tão afetada dessa forma. Bem, eu só queria dizer que nesses três dias de [SSEX BBOX] a Caroline-Artista foi deixada um pouco de lado para que o Bernardo-Pessoa pudesse, finalmente, se sentir FORTE.”
JAQUELINE GOMES
“Desde a primeira vez em que conheci o projeto [SSEX BBOX] percebi nele ideias portadoras de futuro, e a realização das conferências tem comprovado a quão inovadora é essa iniciativa internacional. Conjugar os pensamentos, por vezes díspares, de ativistas, artistas e pesquisadores: esse é o rico diferencial das Conferências Internacionais [SSEX BBOX].”
DANIEL TEIXEIRA
“Raras vezes temos a chance de debater e vivenciar na prática a perspectiva interseccional ao lidarmos com as diferentes formas de opressão que experimentados. A cada ano a Conferência Internacionais [SSEX BBOX] nos oferece generosamente esta oportunidade, o que certamente representa uma de suas principais contribuições.”
BETO DE JESUS
“Este encontro inaugurou um novo espaço – e quando eu digo novo não quero dizer que ele suplanta outros. Nós temos muitas necessidades. Há pessoas que preferem se organizar a partir de associações, então você tem encontros nacionais LGBT, encontros de pessoas que discutem essas questões dentro das universidades. Aqui, inaugurou-se uma outra forma, uma outra possibilidade. O que me encantou foi que esse espaço conseguiu se mostrar sem gesso, um espaço de muito frescor. Fiquei encantado de não ver as mesmas caras, de ver esse evento tocar novos corações e novas mentes. E isso é muito importante. O fato de arregimentar novos corações, novas mentes e novas caras é fundamental. Juntar pessoas que irão se mobilizar em outros espaços. E quando chega o novo, tem muito ego que se inflama. Essas pessoas estão chegando para tomar o meu lugar? Não! Ninguém venho tomar o lugar de ninguém. Até porque existe homofobia, transfobia, bifobia, para todo mundo. Queria que não tivesse. Vamos arregaçar as mangas e tocar para frente. Acho que esse encontro foi uma semente que precisa brotar. E eu queria que todas as pessoas que participaram dele ajudassem a regar essa ideia, a adubar essa ideia no dia a dia, para que no próximo esse lugar lote. Eu sou do movimento organizado, faço parte de associações, e sempre brinco dizendo que ser homem e ser mulher é muito pouco para mim. Eu quero ser o que eu quiser ser. E não quero que ninguém me coloque em caixas, que determinem o que eu posso ou não posso fazer”
BENEDITO MEDRADO
“Em tempos de crise e de graves ameaças a conquistas no campo dos direitos humanos é imprescindível garantir espaços como as Conferências Internacionais [SSEX BBOX], com toda essa troca, diálogo, produção de dissensos e construção criativa.”
FABIANA MORAES
Professora do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco. Jornalista e doutora em Sociologia, tem pesquisas acadêmicas e reportagens voltadas para a questão da hierarquização social com foco na (in)visibilidade de grupos vulneráveis. É vencedora de três prêmios Esso: Os Sertões (2009; O Nascimento de Joicy (2011) e A Vida Mambembe (2007). Recebeu ainda os prêmios Petrobras de Jornalismo (2015) com a série Casa Grande e Senzala; o Embratel (2011) com o especial Quase Brancos, Quase Negros e três prêmios Cristina Tavares (Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco) com Os Sertões, Quase Brancos Quase Negros e A História de Mim (2015). Lançou cinco livros: Os Sertões (Cepe, 2010), Nabuco em Pretos e Brancos (Massangana, 2012); No País do Racismo Institucional (Ministério Público de Pernambuco, 2013); O Nascimento de Joicy (Arquipélago Editorial, 2015); Jormard Muniz de Britto – professor em transe (Cepe, 2017). Realizou o documentário Dia de Pagamento (2015) e investiga narrativas midiáticas, jornalismo, subjetividade e a relação entre celebridade e pobreza.
NIKITA DUPUIS, Vargas – Bogotá
Ele tem sido ativista em questões de transmasculinidade por 7 anos em organizações sociais como o Colectivo Entre-Tránsitos, o Hombres en Des- Orden e a Rede Distrital dos Homens Trans. Comunicador social e Jornalista com especialização em política externa, com diversos estudos complementares em torno dos temas direitos humanos, arte e política, diversidade sexual e de gênero, cultura e comunicação e processos sociais. Vinculado como funcionário público desde 2010 em entidades como a Secretaria de Governo e Secretaria de Integração Social de Bogotá, onde desenvolve ações para a construção de agendas públicas e territorialização da Política Pública LGBT para Bogotá. Atualmente é consultor da OIM e do Ministério do Interior em uma abordagem diferenciada no programa de fortalecimento institucional para vítimas no contexto do conflito armado.